"Um novo olhar sobre Mira de Aire"
Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
Breve historial de Mira de Aire

Próximo de Fátima, em Pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, espraia-se pelo sopé desta serrania a localidade de Mira de Aire, freguesia e paróquia desde 1708, pertencente ao concelho de Porto de Mós, distrito de Leiria, que foi elevada à categoria de vila no ano de 1933 e conta actualmente com cerca de 5000 habitantes.

As suas raízes remontam ao século XII, altura em que surgiram nesta região os primeiros povoamentos, após definitiva expulsão dos árabes, no reinado de D. Afonso III.

Durante muitos séculos predominou a agricultura de subsistência. Ainda hoje se podem apreciar vestígios dessa época nas ruínas de alguns moinhos e nas de uma azenha construída junto à nascente do Rio da Pena, que desagua na lagoa da Mata, também conhecida por Polje de Mira de Aire, bem como nos densos olivais que se estendem pelos socalcos da serra ou, ainda, nos vários terrenos que os mais velhos teimam em manter cultivados.

Mais tarde, a pastorícia permitiu o surgimento das primeiras dobadoiras de lã, cujos fios eram empregues nos teares manuais para fabrico das conhecidas mantas regionais. Mas foi já no início do nosso século que Mira de Aire conheceu os primeiros tempos daquilo que viria a ser o seu grande esplendor industrial dos anos 50 e 60.

Sobressai, de entre os muitos pioneiros da indústria local, o nome de Manuel Dias Justo, já falecido há muitos anos, mas com imagem perpetuada no centro da vila. Uma homenagem ao homem que viveu numa casa, ainda hoje existente, de traço arquitectónico clássico e que, nesses tempos difíceis, demonstrou ter grande capacidade empresarial e enorme espírito filantropo.

No centro de Mira de Aire encontra-se o padrão da economia local: um monólito representativo do maciço calcário da região com o símbolo da indústria: o carreto. Nos últimos anos a indústria diversificou-se, mas continuam a predominar os lanifícios, os têxteis e as tapeçarias, tendo algumas das suas empresas investido em avançadas tecnologias. Outros ramos de actividade também marcam presença na economia da vila, destacando-se a fabricação de velas, a tipografia, a camionagem, a metalomecânica e a produção de modernos pavimentos em madeira e cortiça.

Mira de Aire já consagrou igualmente o seu nome na área do turismo, graças às suas maravilhosas grutas, que hoje também dispõem de um belo parque aquático nas imediações.

Nalguns restaurantes locais pode apreciar-se a tradicional gastronomia mirense, com especial destaque para os tortulhos confeccionados com tripas de carneiro, arroz e hortelã; ou para as morcelas de carne e arroz, cujo recheio também dá corpo ao tão apreciado e afamado «bucho».

A vila dispõe de boas estruturas desportivas e a sua mais antiga colectividade, o União Recreativa Mirense, já foi campeão nacional de futebol, na 3ª. Divisão. Repartem-se por outras associações algumas actividades culturais, como seja a escola de música e de ballet, a banda musical, o coral Gaudia Vitae e o rancho folclórico.

As crianças e os jovens contam com escolas em número suficiente e com óptimas condições. Os mais petizes têm o seu jardim infantil e os mais idosos podem repousar num lar que foi construído, em boa parte, com donativos das gentes locais e dos muitos emigrantes mirenses. Mais recentemente, foi também inaugurado um Centro de Dia, com excelentes instalações.

Nos seus primórdios, Mira de Aire compunha-se de vários lugares, hoje já todos plenamente integrados na extensa zona urbana, à excepção da pequena localidade de Covão da Carvalha. Fruto dessa antiga dispersão, foram construídas duas capelas, além da chamada igreja matriz, que entretanto foi restaurada e convertida em centro de exposições.

Não obstante a referida integração, subsistem os tradicionais festejos em benefício das duas pequenas capelas, a de Nossa Senhora da Boa Morte, no lugar do Poio, e a de S. Silvestre, no lugar de Covão da Carvalha.

Estes festejos mais antigos andam de mãos dadas com os novos eventos populares, entretanto surgidos por efeito do desenvolvimento da construção civil que deu origem a novos bairrismos, como sucede no caso do S. João, na zona da Fraga, ou do S. Pedro, na de Moita do Joaninho, sem esquecer o S. António, do autóctone Largo da Paz.

Já com algumas raízes, uma Associação juvenil organiza anualmente ao ar livre um evento conhecido por «Matadaire», onde pontificam jogos tradicionais, de aventura e radicais; passeios de montada, a pé e de bicicleta; sobrevoos em helicópteros; e outros entretenimentos, incluindo a diversão nocturna.

Porém de todos os eventos festivos que se realizam em Mira de Aire, há um que se destaca pela sua enraizada tradição, respeitabilidade e profunda motivação religiosa: a Festa de Natal, em honra de Nossa Senhora do Amparo, Padroeira da vila.

Presentemente, a ermida paroquial é um templo de construção moderna, erigida com donativos recolhidos junto do povo e com as receitas provenientes da referida Festa de Natal.

A par do seu cariz religioso, esta Festa tem o enorme feito de se traduzir numa autêntica manifestação sócio-cultural, ao conseguir reunir em cada ano o grupo de pessoas que perfaz a idade de quarenta anos, ficando, como tal, a ser conhecido pela «Comissão dos Quarentões do respectivo ano de nascimento». É uma espécie de rejuvenescimento ou de regresso às origens. Dá-se o reencontro de pessoas que se conheceram na escola mas que não se viam ou que já não conviviam entre si há vários anos, ao mesmo tempo que se aprofunda o conhecimento com outras que entretanto chegaram e se integraram na comunidade.

São inúmeras as actividades levadas a cabo pela «Comissão dos Quarentões» ao longo de todo o ano. Entre outras, destaca-se o «cantar das janeiras», que chega a reunir várias centenas de pessoas durante os vários percursos previamente delineados e divulgados por toda a população, que recebe os cantadores com café, filhós e ginja. Realizam-se também alguns festivais de gastronomia; e, por fim, culmina com a realização da Festa de Natal: a gigantesca fogueira no adro, as iluminações de Natal, a distribuição de prendas pelas crianças, a missa do galo, a procissão, o leilão das ofertas e, no dia de Ano-Novo, a cerimónia da entrega da bandeira – Guião da Padroeira – aos elementos da nova comissão.



Publicado por Mirenses às 12:16
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5 comentários:
De João Santos a 22 de Fevereiro de 2008 às 20:54
Bom Blog! Conteudos bons e... finalmente fiquei a saber a verdadeira hitória do nome Mira de Aire... até aqui só sabia que aire vinha da Serre de Aire!
Continuem...
Fiquem bem!
Joao Diogo, 9ºb


De teresa a 22 de Setembro de 2009 às 10:20
agora fiquei a saber a historia de mira de aire, que é um local encantador. pois me apaixonei pela terra e em especial por um morador


De Filipa Pereira a 11 de Novembro de 2009 às 20:59
Fiquei um tanto comovida com este apanhado que fizeram da historia da nossa terra, porque segundo os relatos da minha avó,Mira de Aire nasceu pobre e fez-se rica e agora tudo se dissolve novamente. Não há canto nenhum de Portugal por onde passe que não haja alguém não conheça Mira de Aire.Pelo menos a hist+oria e as memórias ficam, para sempre.


De Elisabete Paixao a 9 de Fevereiro de 2010 às 21:35
Adorei conhecer mais um pouco da história da minha terra. Nasci, estudei, cresci e casei aqui, e pretendo terminar os meus dias nesta bela terra que por muito já passou. Recordo com saudades, o mar de gente nas ruas após tocar as sirenes das fabricas que empregavam centenas de pessoas. Melhores dias viram, e se Deus quiser cá estaremos para ver Mira de Aire a evoluir e criar mais e melhores condições de vida. É pena este site não ter fotos para relembrar os edíficios , uns degradados outros já demolidos. Adoro ser Mirense...


De Ana Cristina Justo Freire a 2 de Fevereiro de 2016 às 20:47
MANUEL DIAS JUSTO-meu tio avô


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